24 de novembro de 2015

GT – Ornitologia

Equipe de Coordenação

  • Prof. Dr. Renato Gaban-Lima – Coordenador geral do GT (Ornitólogo e Doutor em Zoologia; Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde – UFAL; Museu de História Natural – UFAL)
  • Profa. Dra. Vivian da Silva Santos – Coordenação bioacúmulo de metais pesados e/ou tóxicos em organismos biológicos (Farmacêutica e Doutora em Toxicologia, Universidade de Brasília – Campus Ceilândia (FCE-UnB))
  • Dra. Martha Argel (Ornitóloga, escritora e consultora independente)
  • Profa. Dra. Angelica M. K. Uejima (Ornitóloga e Doutora em Zoologia; Universidade Federal de Pernambuco- Centro Acadêmico de Vitória)
  • Dr. Carlos Gussoni (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Rio Claro))
  • Me. Fernanda Alves (Ornitóloga autônoma)
  • Esp. Giulyana Althmann Benedicto (Ornitóloga e consultora independente)

Histórico de consolidação do GT
O Grupo de trabalho de Ornitologia foi inicialmente planejado pelo Prof. Dr. Renato Gaban-Lima, um dos envolvidos na criação do GIAIA, sendo formalmente constituído no dia 18/11/2015 por meio da agregação de ornitólogos que demostraram inicialmente interesse por meio das mídias sociais.
Na primeira conferência realizada entre a equipe de coordenação, Gaban-Lima apresentou ideias iniciais que foram debatidas e refinadas por toda a equipe.
Por essa avaliação inicial, foram definidas duas abordagens para os Estudos de Impactos Ambientais da tragédia gerada pela SAMARCO (Vale e BHP) nos estudos ornitológicos.
Essas abordagens foram definidas considerando os objetivos gerais do GIAIA, que são: (1) caracterizar os impactos ambientais da tragédia, (2) documentar esses impactos e (3) quantificá-los de forma mais objetiva possível. A finalidade de realizar essas pesquisas reside na necessidade de: (1) gerar dados científicos independentes acerca da tragédia ambiental que fiquem disponíveis de forma transparente para a população e para o poder público; (2) gerar dados que possam ser empregados em programas de monitoramento ambiental ao longo do tempo, bem como na proposição de ações de recuperação ambiental; e (3) gerar informações para o necessário debate e refinamento dos ritos dos processos de licenciamento de obras potencialmente causadoras de impactos catastróficos como esse.

A seguir segue breve descrição dos objetivos e abordagens definidos por esse GT, indicando as ações iniciais para o andamento da proposta.

Abordagem 1: Acúmulo de metais pesados e/ou tóxicos em aves associadas aos ambientes afetados pela lama de rejeito da Mineração da SAMARCO (Vale e BHP).
Em virtude do potencial de bioacúmulo de elementos contaminantes da lama que escorreu pelo Rio Doce, sobretudo dos metais tóxicos revelados em análises prévias divulgadas por terceiros, o prof. Gaban-Lima pretende percorrer as áreas afetadas recolhendo amostras de aves encontradas associadas aos resíduos dos rejeitos da mineração.
O bioacúmulo desses metais pesados e/ou tóxicos em organismos vivos pode causar mortalidade de animais silvestres de forma direta ou, indiretamente, reduzir sua sobrevida através de efeitos sub-letais, tais como alterações de comportamento, distúrbios de reprodução, diminuição de imunidade e anomalias morfológicas.
Posto isso, um dos objetivos dessa primeira abordagem será quantificar o potencial de bioacúmulo desses elementos nas aves, desde a foz do Rio Doce até áreas próximas à barragem destruída.
Os metais a serem quantificados nas amostras serão: Alumínio (Al), Antimônio (Sb) Arsênio (As), Bário (Ba), Cádmio (Cd), Cálcio (Ca), Césio (Cs), Cromo (Cr), Cobalto (Co), Cobre (Cu), Chumbo (Pb), Ferro (Fe), Lítio (Li), Magnésio (Mg), Manganês (Mn), Mercúrio (Hg), Níquel (Ni), Rubídio (Rb), Selênio (Se), Prata (Ag), Estrôncio (Sr), Urânio (U), Vanádio (V) e Zinco (Zn).
Muitos destes metais já foram quantificados na lama de rejeito em análises preliminares divulgadas na mídia, justificando a importância de se avaliar o bioacúmulo destes, uma vez que os metais, quando dispersos no ecossistema, podem estar biodisponíveis e passíveis de processos de bioacumulação e biomagnificação.
A fim de nortear as amostragens, o GT definiu que devem ser priorizadas espécies de Aves limícolas, aquáticas e necrófagas (por exemplo batuíras, maçaricos, garças e urubus).
Em contato prévio, foi articulada parceria com o laboratório da Dra. Vivian da Silva Santos (uma das coordenadoras desse GT), da Universidade de Brasília, que se dispôs a auxiliar nas coletas e a realizar as análises quantitativas de bioacúmulo de metais pesados e/ou tóxicos nas aves, informando ter equipamento, reagentes e material humano especializado para essas quantificações.
Tendo em vista a incapacidade de se fazer amostragens controle (antes da tragédia), as espécies amostradas no Rio Doce deverão ser também amostradas na foz de outros rios da costa brasileira com características similares à foz do Rio Doce.

Abordagem 2: Impacto da tragédia sobre a Avifauna do Rio Doce
Com o objetivo de levantar, documentar e avaliar os impactos da catástrofe sobre a biodiversidade de Aves do Rio Doce, esse GT definiu diferentes frentes de trabalho.
A primeira frente de trabalho está compilando a lista das aves já registradas nessa drenagem, juntando informações quanto aos ambientes preferenciais de cada espécie, os status de conservação, padrões de distribuição (buscando avaliar níveis de endemismos), bem como seus pontos de registro ao longo da bacia. Essa tarefa ficou a cargo dos coordenadores Carlos Gussoni, Fernanda Alves e Giulyana Althmann Benedicto e, assim que possível, o GT deverá tornar pública a lista das Aves do Rio Doce, chamando a atenção para aspectos relevantes para ser de domínio público, como a existência de espécies ameaçadas, endêmicas, migratórias ou que estejam sendo claramente afetadas pelas alterações decorrentes da tragédia.
A segunda frente de trabalho, que ficou à cargo da coordenadora Martha Argel, deu início ao contato com interessados em colaborar com o envio de informações ou com as atividades de campo, a fim de montar uma relação dos interessados de acordo com suas capacidades de colaboração com as abordagens pretendidas.
Ainda, em uma terceira frente de trabalho, e aproveitando a ida a campo para a coleta das amostras para a Abordagem 1, ficou definido que Renato Gaban-Lima deverá realizar análise visual e documentação fotográfica dos resultados da tragédia nos ambientes ribeirinhos, visando o estabelecimento de áreas de amostragens e respectivos protocolos amostrais para a tomada de dados qualitativos e quantitativos para mensurar o grau dos impactos do episódio sobre a avifauna.
Posteriormente, quando essa estratégia de amostragem estiver definida, os coordenadores do GT deverão selecionar colaboradores com capacidade técnica e com o conhecimento para fazer as amostragens pretendidas e, a depender da disponibilidade de recursos e material humano, amostragens quantitativas e padronizadas passarão a ser realizadas.