6 de fevereiro de 2016

GT – Fitoplâncton e Zooplâncton

Introdução

A comunidade planctônica em rios, também conhecida como potamoplâncton, é grandemente afetada pelo fluxo vertical do rio e suas variações de vazão relacionadas a variações sazonais. No período de cheias com chuvas abundantes há redução da transparência da água, a partir de partículas em suspensão carreadas da bacia e aumento da vazão o que leva a diminuição da densidade e algumas vezes da diversidade de organismos planctônicos. No período de seca a redução da vazão e entrada de material alóctone associada a uma maior sedimentação de partículas em suspensão permite o estabelecimento de comunidades com maior densidade e diversidade.

Apesar desta variação sazonal a composição da comunidade é um importante indicador das condições ambientais e pode contribuir para o conhecimento dos efeitos do desastre de Mariana para a comunidade biológica. A comunidade planctônica é a base da cadeia alimentar seja pela produção primária autóctone ou pela cadeia de detritos e alterações nesta comunidade podem impactar toda a cadeia alimentar aquática tanto na cabeceira como na sua foz com impacto na região estuarina e oceânica.

 

Metodologia

Pontos de amostragem

Serão coletadas amostras em diversos pontos na calha do rio Doce, levando em considerações a entrada de afluentes que podem contribuir para a entrada de novos organismos, as mudanças no fluxo do rio como barramentos, assoreamentos e áreas mais profundas e os pontos de coleta prévios do GIAIA e outros pesquisadores com dados disponíveis para auxiliar na avaliação das mudanças ocorridas à partir catástrofe.

O número de pontos e localização serão definidos com os pesquisadores dos outros grupos para permitir a otimização das coletas e a possibilidade de análises em conjunto.

As coletas em período de cheia, mesmo que tradicionalmente apresentem uma baixa densidade e diversidade, permitem uma base importante para avaliar as modificações que irão ocorrer neste ambiente nos períodos de vazante.

 

Amostras

As amostragens para análise da densidade e diversidade da comunidade fitoplanctônica será feita através de coleta de água na região de subsuperfície (10 cm) fixada com formol (4%) ou lugol acético e para a comunidade zooplanctônica utilizar-se-á rede com abertura de malha de 55 µm para concentrar uma amostra de pelo menos 100 litros de água coletados com o auxilio de baldes ou garrafas também na subsuperfície do rio.

 

Análise de Laboratório

 

Para a comunidade fitoplanctônica, as amostras serão analisadas em microscópio óptico Zeiss e os indivíduos fitoplânctonicos serão identificados com auxilio de chaves específicas. Para quantificar os organismos será usado o método proposto por Uthermöhl (1958), com um microscópio invertido Zeiss em câmaras de sedimentação de 2 e 5 mL e tempo de sedimentação de três horas por centímetro de altura da câmara.

Além da identificação da riqueza fitoplanctônica, será estabelecida a densidade, o índice de diversidade, a abundância relativa e o biovolume celular e da comunidade.

A densidade dos organismos fitoplanctônicos será calculada segundo critérios descritos em APHA (1995). Para o cálculo da diversidade de espécies será usado o índice de Shannon – Weaver (SHANNON e WEAVER, 1963), A abundância relativa dos organismos fitoplanctônicos será calculada a partir do número de indivíduos de cada espécie em relação ao número total de indivíduos de cada amostra.

A abundância das espécies será classificada, de acordo com McCllough e Jackson (1985) em: dominantes, para os que obtiverem de 50 a 100% de abundância relativa; abundantes, para os que apresentam de 30 a 49%; comuns para os que tiverem de 10 a 29%; ocasionais para aqueles com 1 a 9%; e raros, para os que apresentarem menos de 1%. O biovolume celular será calculado para as espécies de abundância relativa dominante, abundante e comum presentes na amostra. De cada táxon será estipulado uma média de organismos de cada espécie para a obtenção do volume celular médio. Esse volume será calculado a partir da semelhança da célula algal às formas geométricas, como proposto por Wetzel e Likens (2000).

Para a comunidade zooplanctônica todas as amostras serão integralmente analisadas e a contagem e identificação dos organismos serão realizadas em laboratório com auxílio de microscópio estereoscópico e microscópio óptico e bibliografia especializada (Elmoor-Loureiro, 1997; Santos-Silva, 2000).

Serão também calculadas a freqüência de ocorrência, a abundância relativa, densidade, conforme descrito por Santos (2010) e Índices de diversidade (Shannon-Wiener) e dominância através do software Past, versão 1.91 (Hammer, Harper e Ryan 2001).

 

Referências

APHA – AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. (2005). Standard methods for the examination of water and wasterwater. Byrd Prepress Springfield. Washington. 1134p.

ELMOOR-LOUREIRO, L. M. A. (1997). Manual de identificação de cladóceros límnicos do Brasil. Editora Universa. Brasília. 155p.

HAMMER, O.; HARPER, D. A. T.; RYAN, P. D. (2001). PAST: Paleontological Statistics software package for education and data analysis. Palaeontologia Electronica. 4(1):9 pp.

McCULLOUGH, J.D. & JACKSON, D.W. (1985). Composition and produtivity of the benthic macroinvertebrate community of a subtropical reservoir. Rev Gesamten hydrobiol. v.70. n.2. p.221-235.

SANTOS-SILVA, E. N. (2000). Revisão das espécies do “complexo nordestinus” (Wright, 1935) de Notodiaptomus Kiefer, 1936 (Copepoda: Calanoida: Diaptomidae).198f. Tese (Doutorado em Ciências na Área de Zoologia) – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo.

SHANNON, C.E., & WEAVER, W. (1949). The Mathematical Theory of Communication . Urbana: The University of Illinois Press.

UTHERMÖHL, H. (1958). Zur Vervollkommnung der quantitativen Phytoplankton-Methodik. Mitteilungen Internationale Vereinigung Theoretische und Angewandte Limnologie, 9, 1-38.

WETZEL, R.G. AND LIKENS, G.E. (2000). Limnological Analyses. Edtion ed.: Springer.