3 de março de 2016

GT – Análises de águas

Avaliação da contaminação por metais na Bacia Hidrográfica do Rio Doce

Considerando que: a água integra as preocupações do desenvolvimento sustentável; a Constituição Federal e a Lei no 6.938 (31/08/1981), visam controlar o lançamento no meio ambiente de poluentes, proibindo o lançamento em níveis nocivos ou perigosos para os seres humanos e outras formas de vida; a saúde e o bem-estar humano, assim como o equilíbrio ecológico aquático, não devem ser afetados pela deterioração da qualidade das águas; o controle da poluição está diretamente relacionado com a proteção da saúde, garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado e a melhoria da qualidade de vida, levando em conta os usos prioritários e classes de qualidade ambiental exigidos para um determinado corpo de água (CONAMA 357/2005); e o rompimento da barragem do Fundão, pertencente a empresa Samarco, ocorrido no dia 05 de novembro de 2015 em Bento Rodrigues, distrito de Mariana – MG, que despejou sobre Bento Rodrigues e rio Gualaxo do Norte (o qual desemborca no Rio Doce) toneladas de lama de rejeito de mineração, surgiu a necessidade da análise de metais totais e metais dissolvidos na água do rio Gualaxo do Norte, Rio do Carmo e do rio Doce, tendo em vista a sua utilização.

Segundo van Put et al. (1994), a solubilidade dos metais presentes no solo, quando encontram o curso de um rio, mudam a sua solubilidade de acordo com o pH, potencial de oxidação e força iônica, sendo os dois primeiros fatores físico químicos mais importantes na mudança de valência dos metais, o que implica no aumento da sua toxicidade.

Em parceria com professores da UFSCAR (Dr. André Cordeiro Alves dos Santos, UFSCAR – Sorocaba; Dra. Eliane Pintor de Arruda, UFSCAR – Sorocaba; Dra. Flávia Bottino, UFSCAR – São Carlos) e com apoio da Universidade de Brasília (UnB) e GIAIA o grupo da UnB, composto pela Profa. Dra. Vivian da Silva Santos (UnB – Ceilândia) e pelas alunas Déborah Araújo Morais (UnB – Ceilândia), Natália Carvalho Guimarães (UnB – Darcy Ribeiro) e Jennifer Oliveira Freira (UnB – Ceilândia), percorreu dez pontos, desde Mariana – MG até Governador Valadares – MG, entre os dias 04 e 08 de dezembro de 2015, afim de colher amostras de água e sedimentos para posterior análises.

Com relação à água para determinação de metais, foi aliquotado 50 mL em tubo cônico de 50 mL, que foi preservado com HNO3 subdestilado para determinação de metais totais. Uma segunda alíquota do mesmo ponto foi filtrada com membrana de 0,45 μM e posteriormente acidificada com HNO3 para determinação de metais dissolvidos.

As coletas de amostras dos demais pontos, de Galiléia – MG até Regência – ES, foram realizadas nos dias 08, 09 e 10 de dezembro de 2015 pelos Doutores André Cordeiro Alves dos Santos, Eliane Pintor de Arruda e Flávia Bottino, sendo que as amostras foram colhidas e conservadas da mesma forma das anteriores, e enviadas via Correios para Brasília – DF e serão analisadas nos primeiros meses de 2016.

O grupo recebeu ainda, via Correios, amostras colhidas antes do rompimento da barragem de Fundão, as quais foram acidificadas no momento em que chegaram em Brasília – DF e analisadas em conjunto com as demais amostras.

O grupo ainda entende que para melhores conclusões sobre o impacto ambiental sofrido, seria interessante que uma nova coleta no período de cheia fosse feita usando como padrão a primeira coleta feita no início de dezembro de 2015.

As análises serão realizadas utilizando a técnica ICP–OES (Espectrometria de emissão atômica com plasma indutivamente acoplado), e os metais a serem quantificados nas amostras serão: Alumínio (Al), Antimônio (Sb) Arsênio (As), Bário (Ba), Cádmio (Cd), Cálcio (Ca), Césio (Cs), Cromo (Cr), Cobalto (Co), Cobre (Cu), Chumbo (Pb), Ferro (Fe), Lítio (Li), Magnésio (Mg), Manganês (Mn), Mercúrio (Hg), Níquel (Ni), Rubídio (Rb), Selênio (Se), Prata (Ag), Estrôncio (Sr), Urânio (U), Vanádio (V) e Zinco (Zn). As determinações serão validadas por meio do uso de equipamentos com princípio de funcionamento diferente do ICP- OES, como ICP-MS e/ou GF AAS.

Os resultados serão confrontados com a legislação vigente CONAMA 357 para água de rio Classe II.

Referências

RESOLUÇÃO No 357, DE 17 DE MARÇO DE 2005 Publicada no DOU no 053, de 18/03/2005, págs. 58-63

van PUT, A.; van GRIEKEN, R. WILKEN, R.D. & HUDEC, B. Geochemical characterization of suspended matter and sediment samples from the Elbe river by EPXMA. Water Res., 28:643- 655, 1994.